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Ode a minha mãe

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Ode a minha mãe nenhum poema nas mãos do oceano aberto.  perto dos seus dedos só o esquecimento das margens do prazer e da paz.  aquele que sonha terá água doce ou água salgada dentro das lágrimas bailarinas dos seus olhos fechados? aquele que sonha saberá soletrar ódio no sangue? e se souber, como amará ele a violência se o primeiro sonho - como o amor - ama a comunhão prática da infância táctil? - ¿mãe, os dálmatas são cães com sarampo ou desenhos que ladram? - ¿mãe, aquela menina é castanha porque é feita de chocolate? -¿mãe, chamas-te mãe porque mãe é a palavra mais próxima de mão, a primeira mão que nos amparou o primeiro susto incrível do real? - mãe, quem sonha é filho de toda a gente. nenhum poema nas mãos do oceano aberto das mães. Perto dos seus dedos só os rolos da paz e do calor a fotografar o sangue dos anjos nas varandas sublimes dos colos. mãe, inspiro o sol nas coisas evidentes. existe realmente o erro, mãe? o erro-cruz? como poder...

Livro "No princípio era a nudez"

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Título do livro: No princípio era a nudez Edição:  12/2017 (edição de autor) Preço:  10 € Encomendas:   diogocleal@live.com.pt Entregue em mãos na zona do Porto, restantes zonas via ctt (+ 1.50€ portes de envio). | Curta-metragem com poema "Marginália" do livro "No princípio era a nudez" Voz, poema, realização, sonoplastia: Diogo Costa Leal  Imagem: Mariana Vasconcelos Samples musicais: Mariana Ferreira Excerto do pósprefácio do livro (...) É a própria escrita que se quer líquida, pois tem origem nas mãos que a precedem, "as mãos dos poemas", mãos abertas, feitas "de amor tinta seiva e fruto". Em estado líquido. Mas este livro não é feito de poesia em estado líquido ou fluído apenas por ter origem no seu autor, ou apenas pela natureza da sua escrita. O Diogo está, ao mesmo tempo que escreve, consciente de que um poema só se torna verdadeiramente um poema quando é lido por alguém. Ler o poema é participar...

e as várias cores de luz e sombra na dança que abre as cortinas

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e as várias cores de luz e sombra na dança que abre as cortinas e ajoelhar-me para ficar à mesma altura do afaga-céus de um bago de cerejas só pela textura e abraçar um gato com as mãos bem abertas para que o amor não fuja e olhar o retrovisor de um carro e ver mil imagens de vida disparadas por segundo e sorrir por isso parecer um espelho sincero e mergulhável para a constante das nossas metamorfoses e tremer muito no frio e ainda assim tocar as saliências de beleza feitas pelo nevoeiro e olhar a minha cara num reflexo e rir-me pelas caretas possíveis nas rugas rir-me por ser possível além de por dentro o corpo rodear-se de água sem ficar molhado rir-me por amar-me muito e não ter medo de o dizer até cantar para mim mesmo porque a natureza nunca faz pouco de nós e ver pássaros em forma de ranhura na estrada e onde pousaram prolongar-lhes um ninho através de fruta entre-lábios e afagar o dorso de um cavalo o queixo de um gato a superfície do mar o exterior das pétalas os porme...